quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Partida

Engraçado como tudo na vida tem um início, mas há vezes que não existe fim.
Há relacionamentos que se arrastam, pois perdemos a coragem de dar adeus.

Então ficamos sem ter como se afastar. Olhamos para a pessoa que se perpetua em nossa vida sem termos uma história.

É como se nunca fóssemos ter.
Sabemos que é um nada voltado para coisa nenhuma.

Voltamos para aquele corpo, para aquele abraço, para aquela boca, que sabemos não ser mais nossa, é como se usássemos algo que já foi nosso, mas que tem novo dono.

É a roupa antiga que ainda nos veste bem.
É aquele sapato confortável que passamos para um parente.

É alguém sem natureza jurídica na lei civil.

Não é um passado, pois sempre se renova.

Não é um ex, pois está sempre presente.

Não é um namorado, porque não somos fiéis e nem perdemos outras oportunidades por ele.

Não é um amante, porque os amantes são únicos, são apaixonantes, são loucuras, são fugas e são histórias de paixão e sedução.

Não é um amor, pois amor tem que ser à dois, tem que ser recíproco, tem que ter retorno.

É apenas uma cosquinha, um alguém que na carência nos abraça e nos dá um lance.

É apenas um Lance.
Lance sem partida.

Mas até quando?

E se uma das partes sofrer?
E se uma das partes se envolver?
E se doer?

Se doer, então é hora da Partida.

Já que um Lance não tem fim, um Lance é apenas um começo, é alguém que não se encaixa, é alguém que tem um pedaço muito pequeno de nós.

Partida, é preciso dizer adeus.

Elaine Ribeiro

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